Escrevi certa vez que a infância é segundo pior periodo da nossa vida depois da adolescência. Não é bem assim. A infância é bem pior que a adolescência. Quando se é adolescente a gente pelo menos pode transar, beber e fazer outras coisas adultas (ou quase). A fase que vivo agora é provavelmente a melhor. Me sustento, mando em mim, faço o que quero, tenho namorado e já aprendi um pouco a lidar com os homens (sem aqueles clichés imbecis). Está certo que me acordo num horário filho da puta, mas ainda assim, não voltaria pra época de colégio e nem para o meu conturbado período de meio de faculdade (embora tenha me divertido horrores).
Minha infância foi um saco. Não gostava de crianças já naquela época. Não gostava de conviver e me sentia presa e cheia de impossibilidades. Era extremamente ansiosa e excluída no colégio, porque era gordinha e bizarra. CDF. Vivia lendo. Os livros foram minha melhor companhia. Minha mãe (graças) nunca me mimou muito com carinho e bejinho. Naquela época até sentia falta, mas hoje percebo que ela demonstrava amor de outras maneiras mais úteis, tipo me alimentando direito e pagando curso de inglês. Detestava ser uma criança. Não via a hora de ser independente.
Na adolescência, principalmente na primeira metade dela também. Não era tão feia e gorda quanto antes, mas eu continuava esquisita e, bom, nenhum dos imbecis do colégio saberia apreciar minha esquisitisse. Eu era a mais inteligente da turma e era respeitada por isso, embora todos me achassem pirada. Conquistei um espaço, mas ainda assim achava um saco não ter independência financeira e ter que obedecer. Vivia ansiosa pra arranjar namorado, pra ficar com o garoto que eu gostava, pra passar no vestibular.
Mas aí lá pelas tantas a CDF degringolou, continuou tirando notas excelentes e 1º lugar nos simulados do cursinho, mas começou a fazer festa e chutar o pau da barraca. Aí dá pra dizer que minha vida ficou legal.
Passei a ter uma adolescência mais inteligente do que a das porras loucas normais e mais porra louca do que a das inteligentes normais. E eu era levemente anoréxica. Minha vida ganhou contorno de seriado.
- Entrei na academia e lá, conheci um maluco com jeito de motoqueiro que fala 7 idiomas. Se tornou meu melhor amigo. Foi assim que passei a frequentar os bares da cidade baixa no nascimento da onda samba rock, quando ainda era legal e frequentado por hippongas malucos (naquela época eu era comunista, e metida a hippie).
- Esse meu melhor amigo tinha 45 ANOS. E eu 17. Todo mundo, incluindo a mulher dele, achava que eu dava pra ele, quando na verdade nunca dei nem um selinho na criatura.
- Daí conheci muita gente maluca, amigos estranhos. Outro amigão, era um artista plástico gay de uns 42 anos que fumava palheiro o tempo todo. Acho que sempre me dei bem com caras mais velhos e sem preconceitos.
- Tomei vários porres vergonhosos, chorei em festa quando vi o cara pelo qual eu era apaixonada ficar com outra (era a festa do meu aniversário). Eu era orgulhosa pra caramba e esse rolo com esse cara teria sido bem mais simples com a cabeça que tenho hoje.
- Me meti em situações bizarras, algumas até perigosas, tipo voltar sozinha pra casa, caminhando, às 2 da manhã.
Isso e muitas outras coisas rolaram e aí lá pelas tantas eu me emendei. Arranjei um namorado que tem tudo a ver comigo, deixei de ser comuna. Sou bem normal hoje em dia, e quem acha que eu sou maluca é porque não viu nada. Dá pra se dizer que foi uma adolescência divertida sim, apesar de tudo.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Adolescência
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
não sabemos aceitar o humor
Lembro que certa vez os Simpsons vieram ao Brasil. Todos os bananenses ficaram ofendidos. Todos os clichês de pobreza, sequestro e Amazônia estavam presentes. Lisa pegava um barco na floresta e ia até o Rio de Janeiro.
Garanto que todos os bananões riram de todos os episódios e só se ofenderam com o humor cujo objeto da graça era o Bananão. É assim, fazemos piadas com todos, mas não admitimos que riam do nosso atraso moral, institucional e civilizatório.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
COMPLEXO EMPRESARIAL DOS 7 PECADOS
VÍCIO E PECADO DÁ DINHEIRO!
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Frango Assado Day ou FREE ORANGE PEOPLE




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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
algumas pessoas preferem a segurança à liberdade...
... e quem pode culpá-las por isso? OK, sejam seguras e não sejam livres.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Honduras e o micão do Brasil
Teve quem achasse que a trapalhada de Amorim em terras hondurenhas, hospedando o bigodudo lunático foi uma tacada de mestre. A embaixada do Brasil nunca representou tão bem o país, com aquele desajuste institucional absurdo.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A FALTA DE ÉTICA
Na briga entre emissoras de TV do Brasil o pessoal adora evidenciar o que seria falta de ética da Globo. Mas só que as outras emissoras do Brasil dão um show de falta de ética e noção na Globo.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Adiando.
Adiamento Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã... Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. O porvir... Fernando Pessoa ...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
Sim, o porvir...
(Álvaro de Campos)
Assumido por brunette às 10.11.09 1 ideiazinhas Links para esta postagem
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
...
Adiamento Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã... Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. O porvir... Fernando Pessoa ...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
Sim, o porvir...
(Álvaro de Campos)
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
quem vai salvar o mundo das mudanças climáticas???
O capitalismo malvado. É ele que vai salvar o mundo.
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