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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Adolescência

Escrevi certa vez que a infância é segundo pior periodo da nossa vida depois da adolescência. Não é bem assim. A infância é bem pior que a adolescência. Quando se é adolescente a gente pelo menos pode transar, beber e fazer outras coisas adultas (ou quase). A fase que vivo agora é provavelmente a melhor. Me sustento, mando em mim, faço o que quero, tenho namorado e já aprendi um pouco a lidar com os homens (sem aqueles clichés imbecis). Está certo que me acordo num horário filho da puta, mas ainda assim, não voltaria pra época de colégio e nem para o meu conturbado período de meio de faculdade (embora tenha me divertido horrores).

Minha infância foi um saco. Não gostava de crianças já naquela época. Não gostava de conviver e me sentia presa e cheia de impossibilidades. Era extremamente ansiosa e excluída no colégio, porque era gordinha e bizarra. CDF. Vivia lendo. Os livros foram minha melhor companhia. Minha mãe (graças) nunca me mimou muito com carinho e bejinho. Naquela época até sentia falta, mas hoje percebo que ela demonstrava amor de outras maneiras mais úteis, tipo me alimentando direito e pagando curso de inglês. Detestava ser uma criança. Não via a hora de ser independente.

Na adolescência, principalmente na primeira metade dela também. Não era tão feia e gorda quanto antes, mas eu continuava esquisita e, bom, nenhum dos imbecis do colégio saberia apreciar minha esquisitisse. Eu era a mais inteligente da turma e era respeitada por isso, embora todos me achassem pirada. Conquistei um espaço, mas ainda assim achava um saco não ter independência financeira e ter que obedecer. Vivia ansiosa pra arranjar namorado, pra ficar com o garoto que eu gostava, pra passar no vestibular.

Mas aí lá pelas tantas a CDF degringolou, continuou tirando notas excelentes e 1º lugar nos simulados do cursinho, mas começou a fazer festa e chutar o pau da barraca. Aí dá pra dizer que minha vida ficou legal.

Passei a ter uma adolescência mais inteligente do que a das porras loucas normais e mais porra louca do que a das inteligentes normais. E eu era levemente anoréxica. Minha vida ganhou contorno de seriado.

- Entrei na academia e lá, conheci um maluco com jeito de motoqueiro que fala 7 idiomas. Se tornou meu melhor amigo. Foi assim que passei a frequentar os bares da cidade baixa no nascimento da onda samba rock, quando ainda era legal e frequentado por hippongas malucos (naquela época eu era comunista, e metida a hippie).

- Esse meu melhor amigo tinha 45 ANOS. E eu 17. Todo mundo, incluindo a mulher dele, achava que eu dava pra ele, quando na verdade nunca dei nem um selinho na criatura.

- Daí conheci muita gente maluca, amigos estranhos. Outro amigão, era um artista plástico gay de uns 42 anos que fumava palheiro o tempo todo. Acho que sempre me dei bem com caras mais velhos e sem preconceitos.

- Tomei vários porres vergonhosos, chorei em festa quando vi o cara pelo qual eu era apaixonada ficar com outra (era a festa do meu aniversário). Eu era orgulhosa pra caramba e esse rolo com esse cara teria sido bem mais simples com a cabeça que tenho hoje.

- Me meti em situações bizarras, algumas até perigosas, tipo voltar sozinha pra casa, caminhando, às 2 da manhã.

Isso e muitas outras coisas rolaram e aí lá pelas tantas eu me emendei. Arranjei um namorado que tem tudo a ver comigo, deixei de ser comuna. Sou bem normal hoje em dia, e quem acha que eu sou maluca é porque não viu nada. Dá pra se dizer que foi uma adolescência divertida sim, apesar de tudo.


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

não sabemos aceitar o humor

Lembro que certa vez os Simpsons vieram ao Brasil. Todos os bananenses ficaram ofendidos. Todos os clichês de pobreza, sequestro e Amazônia estavam presentes. Lisa pegava um barco na floresta e ia até o Rio de Janeiro.






Onde já se viu dizer que essa terra onde ocorrem sequestros, violência, ônibus queimados e cujos símbolos exotique mais famosos são o Cristo Redentor e a Amazônia é uma terra em que ocorrem sequestros, violência, ônibus queimados e cujos símbolos exotique mais famosos são o Cristo Redentor e a Amazônia?

Na mesma temporada os Simpsons foram ao Japão, à França, à Itália e a vários outros países. Pegaram pesado com todos. No Japão eram maltratados e passavam o dia tirando tripas de peixes e tinham ataques epilépticos vendo Pokemon na TV.




Garanto que todos os bananões riram de todos os episódios e só se ofenderam com o humor cujo objeto da graça era o Bananão. É assim, fazemos piadas com todos, mas não admitimos que riam do nosso atraso moral, institucional e civilizatório.

Falo isso porque hoje o Bom Dia Brasil deu uma nota muito canalha sobre o ator Robin Williams. Ele participou do programa de David Latterman e disse:

— Espero que ela (Oprah) não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa.

A matéria terminava COM MUITO MAU GOSTO, dizendo que o ator já esteve internado em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício... em pó. Do tipo: "olhem que yankee hipócrita, ele fala mal da gente mas usou drogas, foi viciado, cheirador!". Eu podia responder simplesmente com um "olha, ele se tratou, mas o Brasil não se trata nunca".

Parece até que o editor do BDB não sabe que ele fez uma piada baseada em ESTEREÓTIPOS que não fazemos questão de esconder: exportamos jogadores de futebol, modelos, gostosas, putas e notícias sobre barbaridade dos morros cariocas. Queremos que nosso estereótipo seja qual?

HUMOR é baseado em falácias e estereótipos, inclusive aquele humor que a galera acha inteligente, o das standupcomediescults. Nossos engraçadinhos da turma do Rafinha Bastos não poupam deboches e ironias a respeito de loiras, americanos, fumantes, jogadores de futebol. E eu acho que o Robin Williams usa os estereótipos com mais graça, inclusive.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

COMPLEXO EMPRESARIAL DOS 7 PECADOS

VÍCIO E PECADO DÁ DINHEIRO!


Alguns já sabem que sou viciada em 7 pecados capitais, é assim, uma obsessão. Na época da faculdade, eu, Luci e Judite fizemos uma linha de cachaças. Um sabor para cada pecado. Cada rótulo tinha uma pin up com uma gravura que fazia referência ao pecado em questão. Depois coloco a foto aqui. Eu acho que é o trabalho que mais me deu orgulho na faculdade.

Era assim:
Ira - café com gengibre (a melhor de todas)
Inveja - limão
Avareza - romã
Preguiça - maracujá com erva-doce
Gula - chocolate com menta
Luxúria - morango com amêndoas
Vaidade - cereja

Pensei em levar adiante e fazer o COMPLEXO EMPRESARIAL DOS SETE PECADOS, pra vocês siacabarem.


Ira - academia de boxe e outras lutas
Inveja - agência de modelos
Avareza - agência bancária
Preguiça - casa de massagens/lounge
Gula - restaurante/chocolateria/boulangerie
Luxúria - motel/sex shop
Vaidade - salão de beleza/ clínica de cirurgia plástica

E pra vocês se purificarem e eu ganhar mais dinheiro, abrirei uma igreja evangélica.


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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Frango Assado Day ou FREE ORANGE PEOPLE



A ANVISA resolveu proibir as câmaras de bronzeamento artificial.

Isso não quer dizer que aquelas moças que entravam na sala de aula em pleno julho gaúcho com aquela cor saudável de cenoura menstruada vão, de repente, embranquecer. Não quer dizer que os salões que gastaram milhares de reais em uma câmara para assar frangos vão parar de oferecer o serviço. Vão oferecer na moita, ilegalmente e cobrando mais caro.



Nem preciso dizer como acho horroroso o bronzeamento artificial. Aquelas loiras, de produção fordiana, com aquele nariz plastificado, aquela cor laranja que parece ter sido tirada de uma paleta do photoshop chamada HELL ou coisa assim. Se eu fosse homem não as comeria. As confundiria com uma boneca inflável. Mas não é porque eu não gosto de algum hábito que proibirei alguém de tê-lo. Se acho feio, uso protetor solar inverno e verão e passo longe das lâmpadas queimadoras. E PRONTO.

As moças foram protestar porque queriam ter de volta seu direito de ter câncer de pele aos 27 anos e de parecer uma moranga de Halloween. Não faltaram críticas a essa elite estúpida, que ao invés de pregar a REVOLUCIÓN com o cabelo seboso e segurando aquele cartaz do Guevara, foi lá, pedir pra se bronzear.




Qual é o problema, afinal? Os salões estão perdendo o direito de ganhar dinheiro e as moças o de ter a marca bagaça de biquini durante o ano todo.

ELAS VÃO TER CÂNCER! Ah, bom, isso é problema delas, da família delas, elas podem morrer de câncer, ficar com a cara manchada que ninguém tem nada a ver com o pastel.

EU VOU TER QUE PAGAR O TRATAMENTO DELAS! Ah, pera lá. Tu paga o tratamento de drogados, de gente que passou a vida toda se entupindo de churrasco gordo e hoje tem problemas cardíacos, de gente que não tem os hábitos de higiene adequados. Tu paga pelos danos que as pessoas fazem a si mesmas todos os dias. Então o problema é com essa história de SAÚDE PÚBLICA, que é altamente questionável. E outra coisa: essas mocinhas provavelmente têm plano de saúde.

FREE ORANGE PEOPLE - EU ESTOU NESSA CAMPANHA.



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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

algumas pessoas preferem a segurança à liberdade...

... e quem pode culpá-las por isso? OK, sejam seguras e não sejam livres.


Mas não me impeçam de ter liberdade, mesmo que isso signifique menos segurança para mim. Deixem-me consumir drogas se eu tiver vontade. Existe risco de que essa minha liberdade o atinja? Ora, os riscos de você ser roubado ou apanhar não está diretamente relacionado ao consumo de drogas. Há ladrões que não se drogam e drogados que não roubam. Um certo índice de criminalidade sempre vai haver. E sou dessas que acredita que a legalização das drogas tende a diminuí-lo, e não a aumentá-lo.

Sempre retorno a esse assunto, não? Acho superdigno que mães de família queiram manter seus filhotes longe da MARIJUANA. Mas não gosto que me proíbam de usar legalmente a erva caso eu queira. Acho digno também que elas não queiram pagar pelo tratamento de drogados na saúde pública. EU TAMBÉM NÃO QUERO. Sou contra esse negócio de SAÚDE PÚBLICA. Até porque me parece que SAÚDE é um bem individual.

Mas entrei nesse papo pra falar de outro, totalmente diferente, mas relacionado. Como não tenho aqui compromisso editorial posso chutar o lead e deixar de colocar o objetivo inicial do texto no primeiro parágrafo. Pois bem. Vou falar do espancamento de Yoani Sanchez e do marido dela, o jornalista Reinaldo Escobar, ambos cubanos e nem um pouco simpáticos ao regime comunista que os impede de ir viver ou mesmo de visitar um outro país.

Yoani mantém um blog no qual fala do seu cotidiano na Ilha de Fidel Castro. Fala de como é lenda aquela história de que não falta comida, produto de limpeza e todas essas coisas de que se precisa. Fala de como o filho dela aprende a dizer na escola que quer morrer heroicamente pela revolução. Ela não pode sair de lá. Não tem liberdade. Algumas pessoas acham que os cubanos tem segurança, no sentido de que têm comida garantida pelo governo e outras cositas más, como uma certa garantia de que antirevolucionários vão ser fuzilados. Se algumas pessoas acham bacana abrir mão da liberdade por um punhado de comida, não vejo porque todas tenham que compactuar com essa mediocridade.

Pois recentemente, Yoani conta, foi detida por agentes do governo e tomou umas porradas. Seu marido convocou os apoiadores de regime para um diálogo verbal. Ele compareceu na hora marcada e uma turba enlouquecida tentou agredí-lo. É óbvio que ele sabia que isso ia acontecer. Queria era documentar e mostrar ao mundo como é bem possível ser agredido por não achar que a Revolución é tão bonita quanto quer Ferreira Gullar. O vídeo da muvuca está abaixo:





Bom, fiquei pensando o que certos blogueiros da ixquerrda brasileira diriam sobre isso. Eles não se manifestam sobre o assunto, sei bem. Mas enfim, imagino que sairia algo do gênero: "Povo cubano mostra que não concorda com a infiltrada antirevolucionáriamáfeiaebobona Yoani Sanchez". Pois mesmo que essa turba enlouquecida represente o pensamento de 99,9% do povo cubano (não creio, pois afinal, se assim fosse, não teriam fugido tantos cubanos rumo ao capitalismo bobão dos EUA), qual é o problema de deixar que essa mísera quantia de 0,1% se manifeste, ou mesmo vá embora?

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Honduras e o micão do Brasil

Teve quem achasse que a trapalhada de Amorim em terras hondurenhas, hospedando o bigodudo lunático foi uma tacada de mestre. A embaixada do Brasil nunca representou tão bem o país, com aquele desajuste institucional absurdo.


No começo todo mundo se apressou a condenar o golpe que não existiu - já que, GOLPE MILITAR, definitivamente não foi e não existe golpe judiciário. Depois o Zelaya, que tinha uma cama quente pronta pra deitar, conseguiu reverter a situação por méritos próprios. Loqueou tanto, foi tão irrazoável, se negou tanto a encontrar um acordo, que a comunidade internacional cansou.

E, principalmente, a comunidade internacional que interessa - os Estados Unidos - cansou dele. Eleições dentro de uma semana, mais ou menos. E ao que parece, a tacada de mestre do Amorim virou só um desastre diplomático que vai entrar para os anais da narrativa cômica.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A FALTA DE ÉTICA

Na briga entre emissoras de TV do Brasil o pessoal adora evidenciar o que seria falta de ética da Globo. Mas só que as outras emissoras do Brasil dão um show de falta de ética e noção na Globo.


Eu tenho uma frase a respeito:

Você vai sentir saudades dos EUA quando a China for líder; você vai sentir saudades da Globo quando a Record for líder.


O trabalho da Record está bem atrás da emissora carioca quando o assunto é qualidade, respeitabilidade e, inclusive, ÉTICA. A última da bispada foi a história da repórter que invadiu o link da Globo, numa representação de falta de respeito, profissionalismo, elegância, classe e noção.

Não tardou para que surgissem vídeos no youtube e comentários no twitter sobre como a "GLOBO É A PREFERIDA, A RECORD É COITADA" ou sobre como a "GLOBO IMPEDIU RECORD DE FAZER REPORTAGEM". Quem diz isso não tem um pingo de conhecimento técnico. Como trabalho em TV há uns 4 anos, contando estágios e tudo mais, e já fiz entrada ao vivo, acho que tenho um mínimo porém válido conhecimento do assunto, portanto explico os bastidores do vídeo abaixo:





1- Pra começar, existe um processo de produção. A produtora da TV liga pro assessor e marca um horário. Eu quero que fulano de tal entre no horário tal pra falar sobre tal coisa. Nesse caso, a produtora da Globo marcou um horário com a assessoria pra entrar em algum programa da Globo News e a da Record ligou e obteve a resposta de que sim, o secretário daria entrevista assim que acabasse a entrada ao vivo marcada. E isso porque o assessor sabe que entradas ao vivo eventualmente atrasam, e que o entrevistado tem que estar a disposição para entrar a qualquer momento.

2- Depois disso existe o vivo em si. Momento extremamente tenso. Tem que ver se a transmissão está correta, se o áudio está bom, se o entrevistado está escutando nos fones o que está aparecendo na TV. Você deve ter reparado que tinha uma equipe enorme da Globo ali - que foi injustamente exposta. Uma mocinha, que não era a repórter segurava o microfone no início do vídeo. Já fui aquela mocinha. Ela estava no contato com a produção que estava na emissora, acertando conteúdos, detalhes.

3- SEMPRE, em entrada ao vivo, dizemos para o entrevistado chegar no MÍNIMO 15 minutos antes. NO MÍNIMO. Isso para o repórter poder falar com o entrevistado, o operador de áudio testar o ponto, o operador de vídeo ajustar as cores. É um momento tenso. Vocês não imaginam o nervosismo e a CONCENTRAÇÃO que um vivo exige da equipe de reportagem (cinegrafista, produtor, repórter), da equipe que fica na emissora e principalmente do entrevistado. Uma pessoa que não trabalha em TV tem que se acostumar com aquela coisa chata que é o ponto. Uma coisa que fala no seu ouvido, e na qual você tem que prestar atenção para saber em que contexto sua entrevista vai estar inserida.

4- Outro detalhe do vivo importantíssimo é que ele é assim: repórter fica paradinho na frente da câmera, com a câmera nele. Do lado dele, fora de quadro, está o entrevistado, parado como um dois de paus há 15 minutos, para ajustar tudo que eu falei antes. O repórter entra no ar, fala algumas coisas e diz "estou com fulano de tal" o plano abre, o entrevistado aparece. É ASSIM QUE SE FAZ VIVO SEMPRE. O que a repórter da RECORD fez foi dizer que ia entrevistar uma pessoa que não cumpria esses requisitos: não estava preparada ao lado dela, não tinha o retorno da emissora dela, não sabia o que estava acontecendo no programa dela. Isso que ela fez, de chegar assim no entrevistado e atacá-lo, é o que nós repórteres fazemos quando queremos ENQUETE para um VT gravado. Saímos na rua e atacamos as pessoas, enfiamos o microfone na cara delas e fazemos a pergunta. EM VIVO, ainda mais num vivo formal, não se faz isso. Num vivo de entretenimento talvez, mas num vivo formal com otoridade, nunca.

5- Aí teve a conversa com o assessor, que o apresentador da RECORD acusou de "nervoso". O assessor estava cumprindo seu papel. Organizou a agenda do entrevistado, zelou para que tudo corresse como o esperado na entrevista. E aí a anta diz que "o secretário é gentil, o problema é que às vezes ele segue ordens da assessoria". Micão. Chamou o entrevistado de pau mandado ou desqualificou os assessores. Se a assessoria de imprensa não puder marcar e determinar a ordem da entrevista, serve pra quê?

Pra concluir, isso é motivo de demissão. A repórter e o apresentador CONSTRANGERAM o entrevistado, expuseram a equipe alheia e a assessoria. Se fosse o link ao vivo dela, ela ficaria PUTA DA CARA.

A RECORD SE APROVEITOU DO POUCO CONHECIMENTO TÉCNICO DO PÚBLICO PRA SOCAR A GLOBO. PARA DIZER QUE A GLOBO É PREFERIDA E A IMPEDIU DE FAZER ENTREVISTA. ISSO É MENTIRA.

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UPDATE:
O Luís Felipe fez alguns questionamentos que me levam a dar mais essa explicação.

Tem uma equipe da emissora, composta por editor chefe, diretor de imagens, operador de VT, operador de GC, operador de áudio e mais algumas pessoas que fica no suíte de produção. No suíte, o editor-chefe tem o controle de tudo que acontece. Tem milhares de televisõezinhas em que ele vê o repórter que está prestes a entrar ao vivo, o apresentador que está no estúdio. Apertando um botão ele pode falar com cada um deles. Em vivo se faz assim: o editor-chefe monitora tudo, e pergunta para o repórter: "está OK, o entrevistado está pronto, escutando o retorno da NOSSA programação?". Se a resposta for SIM, então é permitido que o vivo entre no ar.

Um editor chefe honesto e bem intencionado, vendo que o entrevistado não estava ali, teria dito, OK, espera. Ainda mais se o programa em que ele ia entrar tinha tempo pra esperar. Mas a intenção da chefia do programa e do apresentador era expor os colegas de profissão, para depois acusar a concorrente de fominha, preferida, favorita. E olha, se aquele entrevistado achava a Globo melhor que a Record, agora ele TEM CERTEZA.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Adiando.

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)



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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

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Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)



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terça-feira, 3 de novembro de 2009

quem vai salvar o mundo das mudanças climáticas???

O capitalismo malvado. É ele que vai salvar o mundo.



Nelson Rodrigues dizia, nos idos de 1968, que "a fome do nordeste alimenta muita gente". Milhares de canalhas que ganham espaço e arrecadam verbas que nem sempre chegam onde deveriam chegar levantando a bandeira dos famintos. Dá pra se dizer o mesmo sobre a fome na África, onde a ajuda humanitária internacional mais atrapalha do que ajuda - e alimenta muito canalha.

Eu lanço uma teoria moderna. O AQUECIMENTO GLOBAL esquenta o bolso de muita gente. Al Gore sabe disso. Uma Verdade Inconveniente lhe deu mérito, fama, grana. Tudo muito conveniente.

É altamente questionável a culpa do homem o processo de aquecimento do planeta. Eu sou ecocética. A Terra já passou ao longo de sua existência por muitos de períodos de glaciação e aquecimento. E os períodos de aquecimento demonstraram, olha só, serem mais férteis e terem mais espécies que os períodos de esfriamento!

Mas inquestionável é que, sim, somos porcos e sujamos rios e outras coisas importantes para a sobrevivência e que, bem, o mundo pode aquecer independente de ser nossa culpa ou não. Aí catástrofe prevista é o que não falta: falta de água, fome endêmica, extinção de animais e por aí vai. Bom, a parte da extinção, só lamento. Faz parte. Desde sempre as espécies menos adaptadas se vão e outras, mais adaptadas surgem.

E o fato é que os ambientalistas propõem soluções insensatas e medievais pra esses problemas. Tipo, acham preocupante que muitas pessoas possam vir a passar fome, mas barram como podem o desenvolvimento de transgênicos que podem produzir muitas vezes mais e... MATAR A FOME DE MUITA GENTE, ao invés de MATAR MUITA GENTE DE FOME. E eles culpam esse capitalismo malvado por tudo, e acham que ele deliberadamente gasta os recursos naturais sem se preocupar com o futuro.

COME ON. Ninguém mais preocupado com o futuro do que um bom capitalista, né? Ele quer lucrar e continuar lucrando... E então, os capitalistas malvados fazem diferente dos ambientalistas da pá virada. Ao invés de ficarem fumando maconha e fazendo protestos performáticos, eles pesquisam e desenvolvem tecnologias para enfrentar certos problemas.

Via no Discovery esses dias três exemplos nos EUA (sempre anos luz a nossa frente): uma usina que tirava o sal da água do mar e produzia uma água puríssima, outra que purificava a água do esgoto e a deixava purissíssima e outra ainda, que bombardeava as nuvens com um tipo de pó feito de prata para fazer chover. Essa última parece uma ideia de livro do García Marquez, mas de fato funciona. O homem que bombardeava as nuvens falou em um aumento de 12% nas chuvas naquela região do Texas depois do começo do uso da técnica.

É a tecnologia que vai nos salvar. E não existe melhor incentivo do que a concorrência e a livre iniciativa.

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